sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Marcos Malucelli considera Mundial no país "um absurdo"

Presidente do Atlético afirma que país teria outras prioridades

28/10/2010 20:18 Robson De Lazzari

Presidente de um clube cujo estádio que receberá a Copa do Mundo de 2014, Marcos Malucelli, do Atlético, não esconde sua opinião sobre a realização do Mundial no Brasil. Para o dirigente, a competição da Fifa no país é um absurdo.
“Não pensem que o gasto de R$ 600, 700 milhões em estádios de outras sedes será de potencial construtivo. São coisas absurdas que acontecem no Brasil. Aliás, a Copa no Brasil já é um absurdo. Será uma despesa de bilhões que o governo terá de arcar quando temos outras prioridades”, afirmou o presidente, em entrevista à Rádio Transamérica na manhã de quinta-feira (28).

Desde que assumiu o clube, em janeiro do ano passado, Malucelli foi enfático quanto à participação atleticana no torneio. A posição sempre foi a de que o Rubro-Negro teria muito mais a perder do que a ganhar com a cessão da Arena da Baixada para a entidade que rege o futebol mundial.
Durante o primeiro semestre de 2010, quando a situação do Joaquim Américo esteve ameaçada pela falta de viabilidade financeira para a Copa, Malucelli chegou a bater de frente com o Conselho Deliberativo do Furacão. Enquanto o dirigente máximo do clube não queria o Mundial do jeito que a situação se apresentava (sem apoio estatal), os conselheiros admitiam auxiliar o poder público a encontrar uma solução.
A saída escolhida foi a cessão do potencial construtivo por meio da prefeitura e a possibilidade de empréstimo de recursos do Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE) do estado. Engenharia financeira que Malucelli afirma não ter nenhuma responsabilidade do Atlético.
“Torcedores de outros clubes não deveriam ficar na bronca com o Atlético, que não tem nada com isso. Para nós, a Copa não é prioridade. É problema da cidade de Curitiba. Nós apenas cedemos o estádio e faríamos a conclusão com ou sem a Copa”, disse.
Marcos Malucelli comentou inclusive a situação do Estádio Beira-Rio, do Internacional. A Fifa não aceitou a viabilidade econômica apesentada pelo clube gaúcho para a adequação do estádio às exigências do Mundial e a praça esportiva de Porto Alegre para receber os jogos do torneio está indefinida.
“Acho que o Internacional corre risco. O Grêmio está levantando um estádio com a construtora OAS que é a mesma que está atuando em outros estádios. Há interesses políticos, lamentavelmente. Não posso acobertar isso. No Atlético, esse tipo de interesse político ou de construtora não irá ocorrer”, garantiu o dirigente.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Vereadores dão aval aos projetos que garantem a Copa em Curitiba

Data: 26/10/2010 - 15:59:07 - Site Camara Municipal de Curitiba

A Câmara Municipal de Curitiba aprovou em primeiro turno, nesta terça-feira (26), a transferência de potencial construtivo para as obras no Estádio Joaquim Américo e a isenção do ISS para a Fifa e seus parceiros institucionais durante a realização da Copa de 2014 na capital paranaense. As matérias serão apreciadas em segunda votação nesta quarta (27), já com a redação atualizada. Treze emendas foram analisadas em plenário. Nove foram acatadas pelos vereadores e serão incorporadas ao texto original dos projetos encaminhados pela prefeitura. “Nós viabilizamos a Copa de 2014 em Curitiba. As emendas aprovadas fortalecem os projetos originais, reforçando a sua constitucionalidade. Está tudo dentro da lei. Os vereadores marcaram um gol no dia de hoje, junto com o Clube Atlético Paranaense, a prefeitura, os governos estadual e federal”, afirma o vereador Mario Celso Cunha (PSB), líder do prefeito na Câmara.Os parlamentares comemoraram o resultado, obtido após duas prorrogações do tempo normal da sessão plenária. A transferência de potencial construtivo foi aprovada com 26 votos a favor e apenas dois contrários. A isenção do ISS recebeu voto favorável de 27 vereadores. Um acordo entre os parlamentares da base aliada e da oposição garantiu a aprovação quase unânime dos dois documentos. “Agora, somos todos um time só. Mesmo divergindo em alguns pontos, conseguimos construir um consenso sobre aquilo que era mais importante para a cidade”, explica o vereador Pedro Paulo (PT).Acompanharam a votação o presidente do conselho deliberativo do Clube Atlético Paranaense, Glaucio Geara; o secretário de Estado para Assuntos da Copa do Mundo, Algaci Tulio; os secretários municipais de Governo, Luiz Fernando Jamur; de Urbanismo, Sueli Hass; de Relações Políticas e Institucionais, Luiz de Carvalho, e Aristides Eduardo da Veiga, consultor tributário da Secretaria Municipal de Finanças. Da Procuradoria Geral do Município, participaram a procuradora Claudine Camargo Bettes e Raquel de Barros. Representantes de ONGs e do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba também estiveram na votação.Potencial construtivoOs vereadores concordaram com a transferência de potencial construtivo ao Atlético Paranaense, para a reforma do Estádio Joaquim Américo. Na prática, os parlamentares autorizaram a prefeitura de Curitiba a conceder títulos da cidade como garantia na captação de recursos junto à iniciativa privada.As cinco emendas aprovadas estabeleceram que o mecanismo será utilizado para levantar, no máximo, R$ 90 milhões para o conjunto das obras. Também que a regulamentação da transferência do potencial construtivo será feita pela prefeitura, por decreto. A transferência de potencial construtivo está condicionada à apresentação de estudos e análises de impactos sociais, econômicos e ambientais, conforme prevê o Plano Diretor Municipal. Fora o controle social já previsto em lei, será criada uma comissão mista, com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo, para acompanhar e fiscalizar as obras financiadas com este recurso. Isenção de ISSA isenção do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) para a Fifa, as suas subsidiárias, delegações, confederações , equipes, dirigentes de jogos, suas associações de membros e funcionários dessas entidades, foi aprovada com quatro emendas. Elas melhoram a redação original, de forma a deixar claro os limites dessa legislação temporária, cuja validade se encerrará 60 dias após o término da Copa.A medida é uma exigência da Fifa para que os municípios pudessem sediar os jogos. Pela matéria, a entidade e seus colaboradores ficam dispensados de reter, recolher ou cobrar ISS sobre os pagamentos por eles efetuados em favor de pessoas físicas ou jurídicas. Também concede o direito de reembolso de ISS em todas as situações onde forem consumidores, adquirentes, destinatários ou realizarem o pagamento dos serviços sujeitos à incidência deste imposto.

Goleada política

Copa 2014 - Publicado em 27/10/2010 Robson De Lazzari

Vereadores de Curitiba praticamente aclamam a isenção de impostos e a cessão do potencial construtivo ao Atlético. Debate foi demorado, mas somente dois políticos foram contra.

As duas leis necessárias no âmbito municipal para a realização da Copa de 2014 em Curi­­tiba foram aprovadas ontem na Câmara Municipal. Por unanimidade (27 a 0), os vereadores aprovaram a isenção de Imposto Sobre Serviços (ISS) para tudo que se refere ao Mundial. Também por grande vantagem (26 a 2, havia um parlamentar a mais no plenário em relação à outra votação), passou o potencial construtivo especial para o evento.
Bem mais polêmico, o projeto que tratou do instrumento imobiliário (leia mais nesta página) gerou debates por cerca de três horas e meia no plenário. Já a situação da isenção fiscal – que é exigida pela Fifa – foi resolvida em menos de meia hora.


Saiba mais
Veja como funciona o potencial construtivo


Com o sim do legislativo mu­­nicipal, a cessão de R$ 90 mi­­lhões da moeda virtual passa ser possível para adequação do estádio atleticano. Apenas os vereadores Jair Cézar (PSDB) e Aladim Luciano (PV), que havia declarado voto a fa­­vor no dia anterior, mas afirmou ter sido mal interpretado, votaram contra.
“Sou a favor da Copa, só que não está se impondo ao Atlético a obrigação de devolver ao mu­­nicípio o dinheiro do potencial. Não pode ser assim . Isso é crédito público. Não pode ser transferido como se aqui [Câ­­mara Municipal] fosse a casa da sogra”, afirma Cézar, apesar de ser da bancada de apoio ao prefeito.
Reticentes e críticos durante toda a tramitação do projeto na casa, os parlamentares do PT – Professora Josete, Pedro Paulo e Jonny Stica votaram a favor. “Condicionamos o voto favorável para a aprovação atrelado a uma emenda que obrigue o Atlé­­tico a compensar de uma maneira mais clara a cessão do potencial”, pondera Pedro Paulo, satisfeito com a inclusão de uma Comissão Fisca­lizadora para averiguar o processo.
Ao todo, nove emendas ao projeto do potencial e outras quatro ao ISS foram propostas. Somente quatro pedidos sobre o auxílio da prefeitura para a engenharia financeira da Copa foram rejeitados (leia re­­­­sumo das emendas à esquerda).
O ponto mais discutido pelos vereadores foi o das contrapartidas especificadas ao Rubro-Negro no termo de compromisso assinado entre clube, estado e município. Segundo o texto, caberá ao Atlético obrigações como ceder espaço para a Se­­cre­­ta­­ria Muni­­cipal de Esporte e Lazer por cinco anos ou ceder espaço para eventos do poder público por 50 meses após a assinatura.
“Justas ou não, são as contrapartidas que o estado e a prefeitura aceitaram”, diz Gláucio Geara, presidente do conselho deliberativo do Atlético. “Houve bom senso dos vereadores. O que está em jogo não é a conclusão do estádio do Atlético, mas os benefícios para a Copa em Curi­­tiba.
A cúpula da Baixada afirma já ter iniciado a fase de projetos para o início das obras. No en­­tanto, ainda não há data para o começo efetivo dos trabalhos. Somente após a Assembleia Legislativa posicionar-se a respeito do empréstimo de recursos do Fundo de Desen­volvimento Econômico (FDE) é que será realizada a licitação da construtora.
Por meio de seu Twitter, o ex-governador Roberto Requião, eleito senador, chamou os vereadores de “irresponsáveis” pela aprovação do potencial construtivo.

O debate
Treze emendas, nove do projeto do potencial construtivo e quatro da isenção de ISS, foram discutidas pelos vereadores. Todas do projeto de isenção foram aprovadas. Já quanto ao potencial construtivo, apenas cinco passaram.
Potencial Construtivo
Criar comissão específica com representantes do executivo e do legislativo para fiscalizar a cessão do instrumento imobiliário.Submeter à consulta pública e ao Conselho da Cidade o processo de cessão do potencial.Devolução do potencial no caso de reprovação do Conselho da Cidade.Cessão permanente e não apenas por cinco anos de área na sede do Atlético para sede da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer.Reforço do Atlético quanto aos projetos sociais das escolinhas do clube.Cessão de no máximo R$ 90 milhões de potencial.Participação do Ministério Público, do Conselho da Cidade e dos Conselhos das Cidades do Paraná com a criação de Câmara de Monitoramento.Obediência dos critérios para a cessão com base em leis municipais de 2001 e 2004 .Cessão do potencial apenas após a conclusão do projeto executivo do estádio.
ISS
Exclusão do artigo 15, que previa formação de convênios com outras localidades que aprovem a isenção fiscal.Apresentação de notas fiscais para a Fifa receber a isenção fiscal. Apresentação de notas fiscais para pessoas jurídicas relacionadas à Fifa e à Copa.Prazo limite de 60 dias após a Copa para o encerramento da isenção.

Cohapar encerra oficinas do plano de habitação social

Habitação - 26/10/2010 17:00

A Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) encerrou, nesta terça-feira (26), o ciclo de oficinas setoriais do Plano Estadual de Habitação de Interesse Social (Pehis). Durante esta etapa, as entidades participantes apresentaram os levantamentos e avaliações dos setores em relação à construção civil.

O presidente da Cohapar, Everaldo Moreno, acredita que, com o fim destas oficinas, o banco de dados que a Cohapar e o Ipardes estão concluindo será ampliado com as informações levantadas nos encontros. “Com a ajuda dos diversos setores, que participaram das oficinas, e as pesquisas realizadas nos municípios, teremos um ótimo diagnóstico das necessidades habitacionais”.

Para a coordenadora do plano, Bernadeth Dickow, essas reuniões acrescentam muito no trabalho de elaboração do Plano Estadual de Habitação de Interesse Social. “Conhecemos a dinâmica atual e perspectivas futuras do setor da indústria da construção civil e principalmente, a atuação da sociedade na regularização fundiária e moradias de interesse social. A habitação popular passou a ser vista como trabalho de toda a sociedade, deixando de ser preocupação exclusiva do Governo e entidades sociais”.

Os representantes do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) Juliane Galvão e Ademir Silva acreditam na capacitação de profissionais para o setor da construção. “O baixo número de técnicos da construção revela profunda carência do setor. A falta desses profissionais, provavelmente, está sendo suprida por mestres e encarregados sem formação apropriada”, revelou Ademir.

Segundo Juliane, desde 2006, o setor é um dos motores para o crescimento econômico do País. “Cerca de 55,6% do valor adicionado pela construção civil à economia provêm da informalidade. Esse dado ressalta a preocupação na qualificação profissional”.

Ubiraitã Dresch, representante da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e Sinduscon-PR (Sindicato da Indústria da Construção Civil), trouxe dados relevantes ao plano. Segundo ele a produção de casas cresceu muito nos últimos 10 anos. Pulou de 10.564 em 2000 para 33 mil até outubro deste ano. “O setor apresentou um aumento de mais de 100%, alertando o mercado para a busca de novas tecnologias e aperfeiçoamento profissional, para que não ocorra desequilíbrio no setor”, acrescentou.

Outra questão levantada, durante esse último encontro, foi a preocupação com as regularizações fundiárias. Para André Albuquerque, diretor da Terra Nova Regularizações Fundiárias, existe ainda muita burocracia nos trâmites para regularização fundiária. “A simplificação dos trâmites de aprovação e licenciamento de projetos de regularização traria grande vantagem ao processo. Devemos pensar mais na função social da propriedade”.

PLANO - O Plano Estadual de Habitação de Interesse Social – Pehis - irá consolidar o planejamento da ação estadual referente à questão habitacional, a partir da elaboração do diagnóstico do setor e das carências de moradia nas diversas regiões do Estado, estabelecendo as diretrizes, linhas programáticas, fontes de recursos, metas e indicadores com o objetivo de promover o acesso à moradia digna no Estado do Paraná.

O levantamento das informações é acompanhado pelo Ipardes, órgão responsável pelo banco de dados do diagnóstico, que serão usadas para o mapeamento das necessidades habitacionais. Sete técnicos estão envolvidos na fundamentação dos dados levantados. Participaram da reunião Cohapar, Fiep (Federação da Industria do Estado do Paraná), Senai (Serviço Nacional de aprendizagem Industrial), CBIC (Câmara Brasileira da Industria da Construção), Sinduscon-PR (Sindicato da Indústria da Construção Civil) e Terra Nova Regularizações Fundiárias.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Justiça manda desocupar área em Piraquara

Decisão prevê multa de R$ 50 por dia para cada invasor em caso de descumprimento
Publicado em 21/10/2010 | Aline Peres

No fim da tarde de ontem, a Justiça de Piraquara emitiu liminar de reintegração de posse para um dos proprietários dos seis lotes invadidos no dia 8 de outubro, em Piraquara, região metropolitana de Curitiba. O documento prevê a retirada imediata de cerca de 50 famílias localizadas no lote 30 e multa diária de R$ 50 para cada invasor, caso a decisão não seja efetivada, a partir da entrega da intimação. O mandado deverá ser cumprido com apoio da Polícia Militar, que ainda não tinha sido informada até o fechamento desta edição.

Segundo o advogado Luís Carlos Moreira Júnior, a área é de preservação ambiental e não pode ser usada para construção. Já com receio de invasão, em junho deste ano, Moreira Júnior entrou com pedido na Secretaria do Meio Ambiente do município para fiscalização da área – que mede 24,2 mil metros quadrados. No entanto, nada foi feito.

Lineu Marques é proprietário do lote 30 há 30 anos e tão logo soube da invasão, na sexta-feira, antes do feriado de Nossa Senhora Aparecida, solicitou apoio da Força Verde e da Polícia Militar. “É um absurdo ter que entrar na Justiça para garantir um direito que é meu”, reclama. Marques salienta que a parte jurídica foi rápida e aguarda que a polícia tenha a mesma presteza, uma vez que todos os pedidos feitos para impedir nova entrada de invasores não foram cumpridos. Ele conta que chegou a ser ameaçado pelos ocupantes.

Dificuldades

Os fiscais da Secretaria do Meio Ambiente de Piraquara também dizem que têm dificuldades de fiscalizar a área por causa de ameaças. A fiscal Rachel de Andrade conta que há 180 famílias divididas em quatro blocos individualizados na área ocupada. Em uma delas, que foi invadida há mais de três meses, estima-se que tenham de 15 a 20 famílias. “Tem até casa de alvenaria, que têm sido locadas”, fala a educadora ambiental Gisele Tiera.

Nas duas últimas reuniões com representantes da prefeitura de Piraquara e Companhia de Habitação do Paraná, gestora das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na região, líderes do movimentodisseram que as famílias são moradoras do Guarituba. No entanto, nos últimos dias, carros com placas de Pinhais têm sido vistos circulando na região. “A invasão vai atrasar as obras do PAC. O desenvolvimento do canal se faz necessário o quanto antes”, lembra a educadora ambiental.

Segundo o secretário de Meio Ambiente de Piraquara, Gilmar Clavisso, as negociações com o grupo vão continuar, mas eles vão ter de deixar o local. Conforme dados da Cohapar, cerca de 55 mil pessoas vivem no Guarituba, e 70% delas não têm o título de posse dos terrenos. Com o PAC quase 9 mil famílias do local terão a situação regularizada.

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Ocupação
Clima é de calma e expectativa

Mesmo com um boato de que haveria a desocupação da área, ontem no início da tarde, o clima nas áreas ocupadas, que medem cerca de dois hectares e estão na beira da Rodovia João Leopoldo Jacomel (PR-415), era tranquilo. Poucas pessoas circulavam pelo local e os barracos improvisados com lonas e madeiras, na grande maioria, estavam vazios. Conforme informações de moradores da área, são poucos os ocupantes que permanecem no local. “A intenção foi demarcar terreno e ganhar na persistência”, comenta um vizinho da invasão que não quis se identificar. Caminhões são vistos diariamente entregando material de construção na área.

A aposentada Albertina Ferreira de Souza, 65 anos, é uma das ocupantes de um dos terrenos no lote 30. Desde sexta-feira, se divide entre a casa em que morava com o filho do outro lado da invasão e a pequena edificação de madeira construída na invasão. Triste, tem consciência de que não é certo. “Não tenho onde morar e não posso pagar aluguel.” Ela afirma que ela e o filho, que não trabalha por problemas de saúde, é casado e tem dois filhos, não têm intenção de brigar e esperam que tudo se resolva para o bem do grupo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mais de 500 mil pessoas votaram no Plebiscito pelo Limite da Propriedade de Terra

Reirado do site da Adital: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&cod=51758&lang=PT
Quarta-Feira, 20 de outubro de 2010
19.10.10 - BRASIL

Por Karol Assunção

O Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA) divulgou, na manhã de hoje (19), o resultado do Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra. No total, 519.623 brasileiros e brasileiras expressaram sua opinião sobre a questão fundiária do país através da consulta popular.
Entre os dias 1° e 12 de setembro, a sociedade brasileira teve a oportunidade de responder "Sim" ou "Não" às perguntas: "Você concorda que as grandes propriedades de terra no Brasil devem ter um limite máximo de tamanho?" e "Você concorda que o limite das grandes propriedades de terra no Brasil possibilita aumentar a produção de alimentos saudáveis e melhorar as condições de vida no campo e na cidade?"


De acordo com o FNRA, a maioria das pessoas disse "sim" às duas interrogações. Na primeira, 495.424 votantes responderam que são favoráveis ao limite da terra, enquanto apenas 18.233 declararam contrários. Brancos e nulos totalizaram 5.013 votos.

As cifras também não foram muito diferentes em relação à segunda pergunta. No total, 489.666 pessoas responderam ‘sim’ à indagação e 22.158 disseram ‘não’. Brancos e nulos somaram 6.967 votos.

Apesar de ter sido um momento importante para a mobilização, Gilberto Portes, coordenador do FNRA, lembra que o Plebiscito não se resumiu apenas à votação. De acordo com ele, a ideia não era apenas garantir o número de votos, mas conscientizar a sociedade sobre a importância de discutir o problema fundiário no Brasil.

Dessa forma, o objetivo da consulta era também a conscientização e o engajamento popular em ações e mobilizações futuras. "A população que participou não só deu o voto, mas vai se engajar na mobilização", acredita. Para ele, o importante agora é apostar na continuidade do debate.

O coordenador do FNRA considera que a população está mais atenta para os problemas sociais e para os interesses que estão por trás de algumas empresas e de candidatos a cargos políticos. "[Nessas eleições, por exemplo,] em vários estados, a população não votou mais nos antigos coronéis (...). A população já sabe diferenciar quem representa os interesses do latifúndio", comenta.

Próximos passos

Portes destaca ainda que a Campanha pelo Limite da Propriedade da Terra seguirá pressionando as autoridades e sugerindo propostas de reforma agrária. "Vamos pressionar os novos legisladores para que tenham um posicionamento mais claro e mais efetivo [em relação à questão fundiária]", afirma, acrescentado que está nos planos da Campanha a elaboração de um "Plano Nacional de Reforma Agrária", com metas concretas para aprofundar a discussão da reforma agrária e da política de terras.

Uma plenária nacional para avaliar a consulta popular está marcada para acontecer nos dias 30 de novembro e 1° de dezembro. Segundo o coordenador do Fórum, o objetivo é fazer um balanço do plebiscito e já estabelecer estratégias de ação para os próximos anos.

Enquanto isso, o abaixo-assinado em apoio à emenda constitucional para incluir um inciso no artigo 186 da Constituição Federal continua até o final deste ano. A intenção é que o inciso estabeleça que, para cumprir a função social e garantir a democratização do acesso a terra e assegurar a soberania territorial e alimentar, a propriedade rural deverá ter um limite de 35 módulos fiscais. Os interessados também podem assinar o documento em http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/6322

Para mais informações, acesse: http://www.limitedaterra.org.br/index.php

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Acesso a condições básicas de moradia adequada ainda é um desafio no Brasil

Retirado do site: http://raquelrolnik.wordpress.com/2010/10/13/acesso-a-condicoes-basicas-de-moradia-adequada-ainda-e-um-desafio-no-brasil/
13/10/10 por Raquel Rolnik

Um dos desafios que está colocado para os nossos governantes nos próximos anos é o saneamento básico. Comparando as regiões metropolitanas do Brasil, as situações com relação a essa questão são bem diferentes. Antes de tudo, precisamos entender que o saneamento apresenta diferentes dimensões: a água tratada, o esgoto coletado e, finalmente, o tratamento do esgoto que é coletado.

Com relação à água tratada, pode-se dizer que estamos chegando perto da universalização em nossas regiões metropolitanas. Em quase todas elas temos percentuais de domicílio com acesso à água tratada acima de 90%. Mas quando falamos de esgoto, esse número diminui.

Claro que há situações melhores que outras, como, por exemplo, as regiões metropolitanas de são Paulo e de Belo Horizonte, que apresentam mais de 80% de domicílios com coleta de esgoto. Mas mesmo o Rio de Janeiro, que é também uma região metropolitana rica, tem esgoto coletado em menos de 70% dos seus domicílios. No Recife, são 30%.

Isso significa que ainda temos muitos domicílios que sequer estão ligados à rede de esgoto. E em situações como a de Belo Horizonte e São Paulo enfrenta-se também um outro tipo de problema, a falta de tratamento de boa parte do esgoto. Dados de 2004 mostram que apenas 63% do esgoto coletado em São Paulo é tratado. Isso significa que o que não é tratado vai parar nos rios e córregos.

Numa perpesctiva mais ampla, é muito interessante pensarmos também na pergunta: quantas casas no Brasil têm tudo? Sendo que “tudo”, aqui, significa água tratada na torneira, esgoto coletado, lixo coletado, luz elétrica, banheiro dentro de casa, ou seja, tudo aquilo que é básico. Não estamos falando nem de tratamento de esgoto e destinação final do lixo, apenas do básico. A resposta é: mais ou menos um terço de todos os domicílios do Brasil.

As diferenças de uma região para outra, neste caso, também são grandes. Em estados como o Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo, os domicílios em situação adequada chegam a 80%. Mas isso nas áreas urbanas. São Paulo, por exemplo, tem quase 85% dos seus domicílios nas áreas urbanas com uma situação adequada, mas nas áreas rurais – onde estão quase 300 mil domicílios – essa proporção cai para 40%.

A situação das moradias no Brasil, portanto, é mais precária no meio rural que no urbano, especialmente em estados com tradição mais escravocrata. O único estado onde a situação dos domicílios no meio rural é melhor que no urbano é Santa Catarina, onde a proporção de domicílios adequados é de 40% e 24%, respectivamente.

Mas é importante esclarecer que esses dados são baseados no senso de 2000 e que, nos últimos anos, entre 2001 e 2008, houve um aumento de investimentos em saneamento de quase 3 mil%. Esses indicadores, portanto, devem melhorar quando tivermos os resultados do próximo senso.

Ainda assim, é absolutamente chocante que em alguns estados, como o Maranhão, por exemplo, apenas 10% dos domicílios tenham situação adequada. Temos números muito parecidos no Pará e também no Mato Grosso, que é um estado bem mais rico.

Podemos concluir, portanto, que a situação dos domicílios no Brasil, do ponto de vista das condições adequadas, ainda deixa muito a desejar. E este continua sendo um dos desafios dos próximos governantes.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Dívida Social e Megaeventos Esportivos:Quem paga a conta da Copa 2014 e das Olimpíadas 2016?

Estão previstos para os próximos anos no Brasil, e para a cidade do Rio de Janeiro em particular, uma série de megaeventos esportivos: os Jogos Mundiais Militares de 2011, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
Esses espetáculos são vendidos mundialmente como geradores de benefícios econômicos e públicos às cidades-sede. Na retórica de agentes governamentais, empresas de comunicação e das aristo/burocracias esportivas internacionais, como o COI e a FIFA, os eventos constituem oportunidades históricas para a transformação das
cidades e para qualidade de vida de seus habitantes.


Veja o artigo completo de Alessandro Biazzi no site http://www.adital.com.br/arquivos/massacriticaaless%20n.46,%20maio10.pdf

AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE A COPA DO MUNDO

Nessa sexta-feira, dia 08/10, às 14h30, na Câmara Municipal de Curitiba. Rua Barão do Rio Branco, 720, 4o Andar.

A Audiência Pública é convocada para que a sociedade civil possa intervir na condução dos processos que envolvem a Copa do Mundo, reivindicando a repartição dos benefícios e a melhora na qualidade de vida de todos os habitantes da cidade.
Os investimentos devem ser feitos de acordo com o planejamento da cidade e tendo como princípio o respeito às leis que regem a administração pública e, como primazia, a função social da cidade e os direitos humanos.
Neste sentido, é fundamental a participação de todos no debate que acontecerá na Câmara Municipal para que sejam esclarecidos os critérios e condições para as ações direcionadas à viabilização da Copa, sem que interesses privados se sobreponham aos interesses coletivos e demandas sociais urgentes da população.




Participem! Divulguem para seus contatos!!!!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Conselhos não mobilizam o povo

Relatório do Tribunal de Contas do Paraná revela que apenas 5% dos membros de conselhos estaduais são cidadãos comuns
Publicado em 06/10/2010 | VINICIUS BOREKI Gazeta do Povo

Criados para permitir a participação popular na elaboração de políticas públicas e fiscalizar as ações do governo do estado, os conselhos estaduais do Paraná não conseguiram, até agora, mobilizar o cidadão comum. A adesão da comunidade é baixa, de acordo com relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Apenas 5% dos 518 membros de 45 conselhos existentes representam realmente a população, ou seja, não pertencem a movimentos sociais, sindicatos ou ONGs. Outro problema é que 16 das 45 entidades – mais de um terço – estão oficialmente inativos ou sem atividades recentes.

Mesmo de certa forma relegados, os conselhos são o espaço ideal para discutir uma gama de assuntos, representando “uma conquista inegável do ponto de vista da construção de uma institucionalidade democrática”, afirma a doutora em Ciências Sociais Luciana Tatagiba, no artigo “Conselhos Gestores de Políticas Públicas e democracia participativa: aprofundando o debate”. No relatório, o próprio TCE admite a importância da ferramenta na redemocratização brasileira, transformando-se em “pontes entre a população e o governo, no qual o poder é partilhado entre os representantes do governo e da sociedade”.
Apesar da reconhecida importância, uma das explicações para compreender o cenário de falta de participação é o desconhecimento de seus objetivos. “O povo só é chamado a participar da administração pública a cada quatro anos, nas eleições. Os conselhos incentivam a comunidade a também se responsabilizar pelas políticas públicas”, afirma a advogada Priscilla Placha Sá, professora da UFPR e da PUCPR, e representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Paraná, no Conselho Estadual de Segurança Pública (Conesp). “Mais importante do que fiscalizar, os conselhos funcionam como instrumento de construção da política”, argumenta Luciana Medeiros Senra, coordenadora da Secretaria do Conselho das Cidades, do governo federal.

Só o amadurecimento da po¬¬pulação vai aumentar a procura popular pela ferramenta de controle. Vice-presidente do TCE e responsável pelo relatório, o conselheiro Fernando Augusto Mello Guimarães observa a falta de vontade política dos três lados: executivo, legislativo e sociedade. “Há necessidade de renovar os mecanismos de escuta da sociedade, com prestações de contas mais qualificadas e realização de audiências públicas”, avalia. Guimarães, por outro lado, considera a sociedade responsável por sua baixa participação nos conselhos. “Há muita passividade nesse sentido. Cobra-se a participação efetiva, mas age-se muito pouco”, diz.
Outra das razões atribuídas pela falta de interesse é a pouca divulgação das ações do conselho. Nos assuntos do cotidiano – setores como educação, saúde e mobilidade urbana, por exemplo –, há uma participação popular mais intensa, especialmente nas cidades. “No município, além de se conhecerem, as pessoas acabam se envolvendo mais. No âmbito estadual, as coisas ficam mais pulverizadas pela falta de comunicação entre todos os setores”, analisa Gui¬marães. Para o conselheiro nacional e estadual das Cidades e estadual dos Direitos da Pessoa com deficiência, José Aparecido leite, não há interesse do próprio governo em divulgar a ação dos conselhos. “Quando desperta o interesse da população, ela vai em peso”, diz.
Além da mobilização, os conselhos precisam de estabilidade para atuarem com independência. Enquanto alguns são criados por meio de leis federais ou estaduais, outros funcionam apenas por meio de decretos assinados pelos governadores, fazendo com que se tornem reféns das decisões do governo.
Eficiência
No artigo de Luciana Tatagiba, há referência ao avanço proporcionado pelos conselhos em termos de participação popular e, sobretudo, no monitoramento das ações de governo. A sugestão de propostas acaba esbarrando na falta de criatividade. “Por outro lado, elas apresentam um reduzido poder de inovação no que diz respeito ao centro de formulação das políticas e seus tradicionais percursos e atores”, diz.
Na maior parte das reuniões, existe uma diferença entre vocabulário, o que torna complicada, muitas vezes, a conversa dos encontros. “Reunimos empresários, acadêmicos e pessoas da sociedade civil. Às vezes, acontecem brigas por causa da diferença de linguagem, mas, no final, todos se entendem”, diz Luciana Medeiros Senra.

Saúde é o único com poder de fiscalização
Publicado em 06/10/2010 | VINICIUS BOREKI

Além de mais antigo, o Con¬selho Estadual de Saúde (CES) é também o exemplo a ser seguido no Paraná. Em ação desde 1994, a entidade apresenta atuação deliberativa, consultiva e fiscalizatória – o único no estado com capacidade de controlar diretamente as ações governamentais. Essa forma de atuação segue uma das prerrogativas básicas do Sistema Único de Saúde (SUS): controle das decisões de governo pela população.
A composição atual do CES contraria o que se é mostrado no relatório do Tribunal de Contas. Hoje, os usuários representam 50% dos membros, os trabalhadores são 25%, enquanto gestores e prestadores têm 25% da composição – metade para cada um. Ou seja, neste conselho, existe a exigida participação popular. “As reuniões acontecem na última quinta e sexta-feira de cada mês. Na quinta, as 13 comissões se reúnem para debater pautas e assessorar o plenário. Na sexta, as deliberações são discutidas no plenário”, explica Joelma Aparecida de Souza Carvalho, presidente do conselho.
Em 2009, por exemplo, o CES tentou garantir os investimentos mínimos em saúde por parte do estado. “Trabalhamos em cima de resoluções, que se tornam uma lei do conselho. Em algumas resoluções, o secretário de Saúde não mostra interesse em assinar”, relata. Nessas situações, tenta-se, em um primeiro momento, o diálogo. “Antes de tudo, nós conversamos, sempre com bom senso, a fim de evitar situações desnecessárias”, diz Joelma. Existe, no entanto, método mais eficaz para garantir a assinatura do documento: a intervenção do Ministério Público. Mas: “É muito difícil chegar a essa situação”, reconhece.


Conesp deveria estar funcionando há 5 anos
Publicado em 06/10/2010 | VINICIUS BOREKI
Apesar de a segurança pública ser uma das carências mais flagrantes do Paraná, o Conselho Estadual de Segurança Pública (Conesp) não está oficialmente ativo. São, no mínimo, cinco anos de atraso, pois o decreto que exige a criação do órgão data de 2005. Nesta semana, foi realizada a terceira reunião para aprovar o regimento interno do Conesp. Participaram membros da Secretaria de Estado da Se¬¬gurança Pública (Sesp) e 13 entidades ligadas à sociedade civil e justiça, como Ministério Públi¬co, Ordem dos Advogados do Bra¬¬sil (OAB), seção Paraná e As¬¬sociação Co¬¬mercial do Paraná (ACP). Ou seja, pode-se dizer que as políticas de segurança pública do setor não contam com participação popular.




“A finalidade agora é buscar representantes da sociedade que possam, por meio do conselho, expor os programas de segurança pública e sugerir melhorias”, explica Luciano de Pinho Tavares, delegado de polícia e chefe do Departamento de Inteligência do Estado do Paraná (Diep). Na avaliação de Tavares, agora o estado está preparado para ouvir as situações levantadas pela população e encontrar meios de solucioná-las. “Pelo conselho, vamos poder ouvi-los, em prol de toda a sociedade”, afirma.
“Ligação contínua”
Para Priscilla Placha Sá, re¬¬presentante da OAB no Conesp, a melhor maneira de fiscalizar as ações governamentais é por meio dos conselhos. “É uma ligação contínua entre sociedade e governo”, diz. O próximo passo para oficialização do Conesp é a assinatura do regimento interno pelo governador Orlando Pessuti. A primeira reunião “oficial” deve acontecer em novembro.

Acordo da Arena prevê ‘gentilezas’ do Atlético

Termo para viabilizar Mundial em Curitiba exige uma simbólica contrapartida do clube ao poder público

Publicado em 06/10/2010 Robson De Lazzari e Robson Martins

O Atlético terá obrigações inusitadas para receber os jogos da Copa do Mundo de 2014 na Arena da Baixada. No termo de cooperação entre o clube, o estado e a prefeitura – assinado no dia 20 de setembro – existem contrapartidas quase simbólicas ao Rubro-Negro.
A reportagem teve acesso ao documento e verificou que a direção atleticana terá de, por exemplo, ceder parte da área anexa à sua sede administrativa por cinco anos para instalação de espaço da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer.
Também caberá ao Furacão disponibilizar por 50 meses, a partir da assinatura do termo, local para eventos de interesse do estado e do município. Sendo que o clube deverá ser reembolsado dos gastos com iluminação, segurança e limpeza nessas ocasiões.
O Atlético precisará ainda viabilizar área para quiosques que incentivem o artesanato local. Os stands serão chamados de “Leve Curitiba” e “Feito Aqui Paraná”. Sem ônus, o Rubro-Negro terá de ceder também dois camarotes, um para o governo estadual e outro para o municipal, por 50 meses desde a assinatura do convênio.
“Não é para familiares de políticos irem assistir jogo. É para convidados e autoridades”, afirma Algaci Túlio, secretário especial para a Copa. “São gentilezas do Atlético, que terá seu estádio divulgado mundialmente”, diz Luiz de Carvalho, gestor de Curitiba para a Copa.
Os responsáveis do poder público, no entanto, negam que as obrigações implicadas ao clube da Baixada sejam em troca da cessão do potencial construtivo e do Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE).
As ações foram fundamentais na engenharia financeira que possibilitou viabilidade econômica ao projeto da praça esportiva. As autoridades também rechaçam a hipótese de que as “gentilezas” sirvam para que áreas desapropriadas em prol do estádio fiquem para o Atlético.
“Não existe nenhuma troca. A única situação que existe é para que as três partes toquem o projeto e isto está sendo feito”, reforça Carvalho.
Até mesmo as escolinhas de futebol atleticanas e a linha de ônibus Turismo, da prefeitura, são citadas no termo. Segundo o documento, o Atlético terá de intensificar parceira com a prefeitura nas escolinhas – principalmente nas áreas carentes. Nas dependências da Arena haverá um ponto da linha Turismo.
Procurado pela reportagem ontem, no CT do Caju, o presidente atleticano Marcos Malucelli reconheceu que o Atlético terá diversas contrapartidas na complicada ação conjunta para o projeto do estádio. No entanto, questionado sobre o tema, o dirigente preferiu não falar muito. Apenas soltou: “Vai dar polêmica...”

As Obrigações

A quinta cláusula do termo de cooperação entre Atlético, governo do estado e prefeitura de Curitiba é chamada de “Das Obrigações do CAP” e tem 13 itens. Os seis primeiros não causam surpresa, pois tratam da execução da obra, da licitação da construtora e do cumprimento de prazos. No entanto, do 7º ao 13º os pontos são curiosos.

Escolinhas

Intensificar parceria existente [com a prefeitura] relativa às escolinhas do Atlético, em especial em áreas carentes. Realizar no final do ano eventos em quais participem alunos das escolas parceiras.

Sede

Ceder, pelo período de cinco anos após o encerramento da Copa do Mundo de 2014 espaço junto à sede administrativa atleticana, correspondente a 50% do total da área da sede, para instalação de área da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer.

Cultura

Viabilizar espaço para a instalação de quiosques que valorizem o artesanato e divulguem aos visitantes as riquezas do Paraná.

Infraestrutura

Ceder por 50 meses a partir da assinatura espaços para a realização de eventos de interesse do estado e/ou município, sem a utilização de espaços destinados ao futebol, sem ônus, mas com direito a ressarcimento de despesas com iluminação, segurança e limpeza.

Turismo

Manter parceira com Instituto de Turismo para ponto de parada da linha Turismo na Arena.

Vips

Ceder dois camarotes na Arena, um para estado e outro para município, para eventos de interesse municipal e estadual pelo período de 50 meses desde a assinatura.

fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/esportes/conteudo.phtml?tl=1&id=1054404&tit=Acordo-da-Arena-preve-gentilezas-do-Atletico

Potencial Construtivo da Arena será discutido em audiência pública

Comissões de economia, finanças e fiscalização da Câmara Municipal de Curitiba debatem nesta quarta-feira (6) as isenções de impostos e a repasse de R$ 90 milhões em títulos de potencial construtivo para obras

06/10/2010 09:09 Gazeta do Povo

Uma audiência pública na Câmara Municipal de Curitiba vai debater, nesta quarta-feira (6), a isenção de impostos e o repasse de R$ 90 milhões em títulos de potencial construtivo para obras para a Copa do Mundo de 2014.
O valor serviria como garantia das obras de adequação do estádio do Atlético ao caderno de encargos da Fifa. No encontro, representantes do comitê paranaense de organização da Copa, procuradoria do município e do Instituto de Planejamento e Pesquisa de Curitiba (IPPUC) tentarão explicar ao público presentes por quais motivos a Arena receberá tais benefícios públicos, mesmo sendo um espaço privado.
Na quarta-feira(29), um pedido de urgência para votação do projeto de Lei que autoriza a transferência do potencial construtivo para conclusão do estádio atleticano foi protocolado e retirado no mesmo dia na Câmara Municipal de Curitiba.
A bancada de apoio ao prefeito havia argumentado que a votação urgente seria necessária para não atrasar o cronograma das obras.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Sem-teto invadem prédios abandonados no centro de SP

04/10/2010 12:45 Agência Estado

Famílias sem-teto invadiram hoje quatro prédios abandonados no centro de São Paulo. Segundo a Frente de Luta Por Moradia (FLM), participam da ação cerca de duas mil pessoas vítimas de despejo nos últimos meses e moradores de favelas sob ameaça de remoção.
Durante a madrugada, manifestantes ocuparam o Edifício Prestes Maia, localizado no número 911 da avenida de mesmo nome, um prédio abandonado da Avenida Ipiranga, número 925, outro na Avenida São João, número 572, e um edifício que pertencia ao INSS, na Avenida Nove de Julho, número 584, com fundos para a Rua Álvaro de Carvalho.
Segundo a diarista Maria do Planalto, 52 anos, integrante da FLM, houve um breve confronto com a polícia em frente ao prédio da Avenida Ipiranga, com uso de gás de pimenta e bombas de efeito moral. Nesse edifício, segundo ela, estão cerca de 1.200 pessoas despejadas em novembro de 2009 de um terreno na Avenida Bento Guelfi, em Iguatemi, zona leste da capital paulista.
Ela afirma que a prefeitura concedeu em abril, após o movimento ocupar o Viaduto do Chá, três meses de bolsa-aluguel aos despejados, mas não houve renovação. "A bolsa terminou e as famílias foram novamente despejadas", disse. Os sem-teto chegaram ao prédio da Avenida Ipiranga em 15 ônibus e 25 carros.
A Frente de Luta Por Moradia informou, por meio de nota, que seu objetivo é pressionar os governos federal, estadual e municipal a transformarem os imóveis abandonados em moradias populares. Eles também pedem o desenvolvimento de programas de habitação social para famílias com renda inferior a três salários mínimos.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Governo quer construir mais 2 milhões de casas

01 de outubro de 2010 0h 00

Alexandre Rodrigues / RIO - O Estado de S.Paulo

O governo deve lançar ainda este ano o programa Minha Casa, Minha Vida 2 com a meta de construir 2 milhões de moradias entre 2011 e 2014. A informação foi dada ontem pela presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho, numa cerimônia no Rio. Ela contou ter tratado da nova versão do programa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião na última segunda-feira.
"Há um processo de negociação para que isso aconteça até o fim do ano", disse Maria Fernanda, acrescentando que o presidente quer reproduzir a articulação com prefeitos e governadores da primeira fase do programa habitacional, que tinha como meta a construção de 1 milhão de casas, antes de lançar o plano, que só será executado pelo próximo governo.
"Seguramente isso será lançado para 2011. Já há uma previsão orçamentária", afirmou Maria Fernanda. "A nossa expectativa é ter uma média de 2 milhões de novas moradias, cerca de 60% delas para famílias de até três salários mínimos." Segundo a presidente da Caixa, também estão sendo ouvidos construtores e incorporadores para a formatação da nova fase do programa habitacional.
O orçamento ainda não foi definido, disse Maria Fernanda, mas "pode ser aproximadamente o dobro" da dotação de R$ 64 bilhões da primeira fase, com recursos da União e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Ela estimou que 680 mil casas do primeiro programa já foram contratadas.
Salto. "O objetivo é ter habitação e, na mesma intervenção, obras de saneamento. No PAC 2, estão previstas 800 praças, que serão áreas de lazer, de integração digital e de prática de esportes. O nosso desafio para os próximos quatro anos é trabalhar todos esses projetos de forma integrada", disse Maria Fernanda.
Segundo a executiva, a Caixa superou no início de setembro a marca de R$ 47 bilhões em operações contratadas para o setor imobiliário em todo o ano passado. Em três semanas, esse montante saltou para R$ 53 bilhões.
A expectativa do banco é fechar 2010 com R$ 70 bilhões contratados para habitação. Maria Fernanda afirmou que a capitalização de R$ 2,5 bilhões feita pelo Tesouro em agosto por meio de ações da Petrobrás deu condições confortáveis à Caixa para a perspectiva de aumento dos financiamentos.
"Tivemos uma capitalização agora que é mais do que suficiente, mesmo com a expectativa de ampliação de contratação", afirmou, afastando a necessidade de nova capitalização do Tesouro. "A nossa expectativa é de que, pelo menos para os próximos dois anos, tenhamos condições de execuções desses projetos, até porque a Caixa conta com outras fontes de captação de recursos."
Ontem, Maria Fernanda foi ao Rio para assinar, com o prefeito Eduardo Paes (PMDB), o acordo de investimentos que prevê a liberação da primeira parcela dos R$ 3,5 bilhões do FGTS para a segunda fase de revitalização da zona portuária do Rio. A partir de 2011, os recursos do fundo serão aplicados na operação consorciada urbana. Em outubro, uma concessionária será escolhida para realizar as obras sob o modelo de Parceria Público-Privada (PPP).

Moradias

  • 2 milhões de casas é a meta do Minha Casa 2
  • 60% serão destinhadas a famílias que recebem até 3 salários mínimos
  • 680 milcasas do Minha Casa 1 já foram contratadas, segundo a Caixa

Câmara fará audiência pública sobre o potencial construtivo

Publicado em 01/10/2010

A Câmara de Vereadores de Curitiba promoverá uma audiência pública sobre o uso do potencial construtivo na reforma de adequação da Arena da Baixada para a Copa do Mundo de 2014.
O evento ocorrerá na se­­ma­­na que vem, provavelmente sexta-feira. Antes disso, na quarta, está prevista uma reunião conjunta entre as três comissões (de legislação, economia e urbanismo), que analisarão o projeto de lei enviado pelo prefeito Luciano Ducci à casa legislativa municipal.
Por ora, o termo de cooperação assinado entre Atlético, município e estado há 11 dias não foi divulgado. Existe a expectativa de que os poderes públicos (estadual e municipal) divulguem o documento nos respectivos Diários Oficiais durante a próxima semana.
A votação para autorizar a cessão de R$ 90 milhões em títulos do potencial construtivo, referente à metragem do terreno da Arena da Baixada, está previamente agendada para os dias 26 e 27 de outubro.

Prefeitura não consegue acelerar projeto

Publicado em 30/09/2010 Daniela Neves e Robson De Lazzari

O pedido de urgência para votação do projeto de Lei que autoriza a transferência do potencial construtivo para conclusão da Arena da Baixada para a Copa de 2014 foi protocolado e retirado, na ma­­nhã de ontem, na Câmara Muni­­cipal de Curitiba.
A bancada de apoio ao prefeito havia argumentado que a votação urgente seria necessária para não atrasar o cronograma das obras no estádio do Atlético.

Se o pedido fosse aprovado, o projeto não precisaria passar pelas comissões internas da Casa, de Legislação, Economia e Urba­­nismo, nas quais pode receber emendas. A vereadora Professora Josete (PT) reclamou do pedido de urgência dizendo que a maior parte dos vereadores ainda não havia recebido todas as informações a respeito da legalidade do projeto.
“Além disso, um dos artigos diz que algumas regras poderiam ser regulamentadas por decreto, o que seria dar uma carta em branco à prefeitura para que ela desse a forma da Lei”, disse a vereadora.
Após um acordo com as lideranças dos partidos, o pedido de urgência foi retirado, com a concordância de que o projeto passe pelas comissões rapidamente e possa ser votado nos dias 26 e 27 de outubro. “Vai atrasar um pouco o cronograma das obras, mas nada que atrapalhe”, disse o líder do prefeito na Câmara, vereador Mário Celso Cunha (PSB).
Por outro lado, apesar do pedido de urgência da bancada situacionista, a prefeitura garante não estar preocupada com o lento trâmite que o processo deve sofrer no Legislativo. Segundo Luiz de Carvalho, gestor de Curitiba para a Copa, nada está fora do previsto.
“A Câmara tem total liberdade para decidir a fórmula da votação. Se não optaram pelo regime de urgência, tudo bem. Na­­da sai do cronograma”, afirmou.
Apesar de assinado na segunda-feira da semana passada, o termo de cooperação entre Atlético, governo e prefeitura ainda não foi tornado público. O acordo garantiu a viabilidade econômica do projeto. Segundo a assessoria de imprensa do município, o documento já foi enviado para a impressão e pode aparecer no Diário Oficial nos próximos dias. Já o estado avisou que sua publicação oficial exibirá o termo na semana que vem.