quarta-feira, 16 de março de 2011

Dois acidentes com ônibus por dia

Hedeson Alves/Gazeta do Povo / Colisão envolvendo biarticulado na Avenida Presidente Affonso Camargo, em Curitiba, na sexta-feira passada

Capital registrou, no ano passado, 819 acidentes envolvendo veículos do transporte coletivo. Ontem, reunião buscou identificar onde estão as maiores falhas

Publicado em 16/03/2011 | Paola Carriel

Curitiba teve, em média, dois acidentes de trânsito por dia envolvendo ônibus no ano passado. De 2009 para 2010 houve um acréscimo de 4,5% no número de colisões, com aumento de 784 para 819 registros. Representantes do Batalhão da Polícia de Trânsito (BPTran) reuniram-se ontem com condutores do transporte coletivo e sindicato para discutir medidas que possam diminuir o número de incidentes. Entre as principais reivindicações da categoria estão a proibição de conversões à esquerda nas canaletas e maior restrição aos demais veículos que transitam nessas vias, como viaturas policiais.

As estatísticas não separam quantos acidentes foram causados por motoristas ou por outros condutores, pedestres ou ciclistas. Entretanto, o número de vítimas também aumentou, passando de 571 para 582. Quase 30% dos incidentes são de colisões transversais, seguidos por situações de queda de passageiros, com 15%.

O comandante do BPTran, o tenente-coronel Loemir Mattos de Souza, argumenta que o encontro com os condutores foi importante porque a demanda deles foi ouvida pela primeira vez. Ficou estabelecido que o BPTran vai estudar as possíveis soluções para os problemas apontados pela classe, como as conversões à esquerda e melhoria da sinalização. Como medida imediata, haverá mais fiscalização para evitar o trânsito de ciclistas, skatistas, pedestres e veículos não autorizados nas canaletas.

Os acidentes com o transporte coletivo na capital se concentram em cinco bairros: Centro, CIC, Boqueirão, Pinheirinho e Portão. No ano passado, a rua com maior número de incidentes na cidade foi a Sete de Setembro, na região central, com 19 ocorrências, seguida pela Marechal Floriano, no Bo­­queirão, com 18. O Centro tem ainda duas campeãs de colisões: a Alferes Poli, com 8 casos, e a Cândido de Abreu, com 7.

Ivanildo dos Santos, diretor do Sindicato dos Motoristas e Cobradores das Empresas de Transporte Coletivo de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), afirma que os profissionais da classe trabalham com um alto nível de pressão por parte das empresas e da Urbs (Urbanização de Curitiba S/A, que controla o transporte público na cidade). Para ele, diminuir o estresse seria um dos fatores primordiais para a queda do número de ocorrências. “Hoje, o condutor do Ligeirinho, por exemplo, vive o caos no trânsito todos os dias. Nos horários de pico, as vias ficam praticamente intransitáveis”, diz.

Biarticulados

Já Marcelo Araújo, presidente da Comissão de Direito de Trânsito da Ordem dos Advo­gados do Brasil seção Paraná (OAB-PR), argumenta que os biarticulados, responsáveis por graves acidentes na capital, têm uma extensão “anormal” em relação aos de­­mais veículos. O modal foi concebido para ser um metrô de superfície e ficar separado do restante do trânsito, mas so­­mente a barreira física das calçadas não foi capaz de prevenir colisões.

A proximidade dos biarticulados com os pedestres também é criticada, já que a velocidade do deslocamento e a massa do veículo praticamente impossibilitam uma freada brusca. “Os pedestres são os mais frágeis. Para se tornar um motorista de ônibus são necessários cursos e carteira específica, mas qualquer um é pedestre, desde crianças até idoso”, diz Araújo. Em relação aos ciclistas, o advogado acredita que as canaletas acabam sendo a única alternativa, já que não existem ciclovias na maior parte da capital. “Por eliminação, a canaleta acaba sendo a via mais fácil.”

Segundo o professor da Uni­ver­sidade Federal do Paraná (UFPR) Pedro Akishino, a ocorrência de acidentes é quase inevitável. “Para excluir completamente o risco de colisões com outros veículos, somente o metrô.” Ele argumenta também que seria necessário um estudo aprofundado sobre os acidentes para se pensar em medidas preventivas. Akishino diz acreditar que a prefeitura deveria investir na redução de incidentes de forma geral. Em média, todos os anos ocorrem cerca de 20 mil colisões na capital, número bastante alto quando comparado àqueles envolvendo somente o transporte coletivo.


fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1106321&tit=Dois-acidentes-com-onibus-por-dia

segunda-feira, 14 de março de 2011

Audiências públicas definem obras estratégicas em Curitiba

14/03/2011 12:24:00

A Prefeitura realiza nesta semana duas audiências públicas que definem a execução de obras consideradas estratégicas para melhorias no trânsito e na mobilidade urbana de Curitiba, o metrô curitibano e a Linha Verde Norte.

A primeira audiência, nesta terça-feira (15), trata do licenciamento ambiental para as obras da primeira fase do metrô. A audiência será às 19h no Centro de Capacitação da Secretaria Municipal da Educação, na rua Doutor Faivre, 398.

A Linha Azul terá 14,2 quilômetros e ligará a CIC Sul a Rua das Flores, centro de Curitiba. A obra está orçada em R$ 2,2 bilhões e se será inscrita até o dia 3 abril - no Ministério das Cidades - para receber recursos do PAC da Mobilidade.

Também na terça-feira, às 17h, o prefeito Luciano Ducci expõe detalhes do projeto aos vereadores na Câmara Municipal. “Estamos fazendo encontros setoriais, com segmentos e lideranças, mostrando a importância do metrô, a nossa proposta de equação financeira, a nossa mobilização em Brasília”, disse o prefeito.

A extensão total do metrô, primeira e segunda etapas, é de 22,4 quilômetros com 21 estações desde o Terminal CIC Sul (no cruzamento do Contorno Sul com a BR 116) ao Terminal Santa Cândida, no Norte da cidade. A capacidade será de 1.450 passageiros e o custo estimado é de R$ 3,2 bilhões.

EIA-Rima - Na audiência da noite, a empresa Ecossistema Consultoria Ambiental, contratada para elaborar o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) das obras do metrô, vai dar detalhes de como os trabalhos vão intervir nos bairros da cidade, levando em conta as questões ambientais, socioeconômicas, arqueológica e a fauna e flora da cidade.
O EIA/Rima inclui diversos pontos, como execução de serviços topográficos, estudo geológico-geotécnico, estudo hidrológico, estudo de interferências, entre outros.

O estudo detalha os diversos impactos - como de ruído ou de poluição no ar – e as ações mitigadoras durante a construção do metrô. Neste processo, foi visto como vai ser a construção no trecho aéreo e no subterrâneo, que usará duas tecnologias diferentes de construção: Túnel Cut and Cover e o Túnel NATM.

Durante a reunião, será aberto espaço para questionamentos da população. O que for apresentado pelos participantes da reunião pode ajudar na aprovação final da licença prévia, que autoriza a construção do metrô curitibano.

Linha Verde Norte - A segunda audiência pública será nesta quinta-feira, 17, e trata do início das obras da Linha Verde Norte, trecho de 2,3 quilômetros entre o Jardim Botânico e a Avenida Victor Ferreira do Amaral.

Na audiência, às 19h no Santuário Nossa Senhora de Fátima, os moradores do Boa Vista, Cajuru e Matriz vão conhecer detalhes das obras que passará por seis bairros: Jardim Botânico, Jardim das Américas, Cajuru, Cristo Rei, Capão da Imbuia e Tarumã.

Para esta tapa, com financiamento de R$ 52 milhões da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), estão programadas as obras de drenagem, canaletas para o ônibus, pistas marginais, sinalização, iluminação, ciclovia e calçada, as trincheiras das ruas Roberto Cichon e Agamenon Magalhães e a Estação Jardim Botânico.

Recursos - Ao todo, o financiamento da AFD terá quatro licitações (a primeira, de R$ 52 milhões, realizada e vencida pelo consórcio Empo/Marc) para as obras do trecho norte da Linha Verde. Os trabalhos serão executados ao longo do trecho de 8 quilômetros, desde o Jardim Botânico até o extremo norte de Curitiba, no Atuba, passando por 11 bairros.

Os custos previstos por etapas de obras estão assim definidos:

Primeiro trecho: R$ 51,9 milhões. Liga o Centro Politécnico, no Jardim Botânico, na Linha Verde Sul, até a altura da trincheira da Victor Ferreira do Amaral, no Tarumã, numa extensão de 2.350m.

Segundo trecho: Viaduto da Victor Ferreira do Amaral: R$ 36,7 milhões;

Terceiro trecho: Victor Ferreira do Amaral – Solar: R$ 37,1 milhões;

Quarto trecho: Solar – Atuba: R$ 66,5 milhões.

Na Linha Verde Norte serão implantados três sistemas binários, formados pelas ruas Agamenon Magalhães e Roberto Cichon (entre as estações Jardim Botânico e Tarumã, mas não vinculado a estação de embarque e desembarque), Fagundes Varela e José Maldonado com a Bento Ribeiro (vinculado à Estação Fagundes Varela); Tietê e Mucuri (vinculado à Estação Solar).


fonte: http://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/audiencias-publicas-definem-obras-estrategicas-em-curitiba/22164

Prefeitura de Curitiba e Governo do Paraná vão investir para melhorar acesso ao aeroporto

10/03/2011 12:05:00principal

A Prefeitura de Curitiba e o Governo do Paraná vão investir R$ 147,5 milhões em obras para melhorar o acesso do aeroporto Afonso Pena ao Centro de Curitiba, além de reformar a Rodoferroviária. O recurso virá por empréstimo do PAC da Copa, que será posteriormente pago pelo Município e pelo Estado. As obras serão executadas pela Prefeitura de Curitiba e pelo Governo do Paraná.

"Juntos, Prefeitura de Curitiba e Governo do Paraná vão fazer estas obras, importantes para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014", disse o prefeito Luciano Ducci. "São obras que ficarão como legado para a população."

O investimento para melhorar o acesso ao aeroporto será na revitalização das avenidas das Torres e Marechal Floriano Peixoto. A Prefeitura de Curitiba fará as obras até a divisa com São José dos Pinhais e o Governo do Paraná fará a continuidade até a região do aeroporto, em São José dos Pinhais.

Além de melhorar o acesso ao aeroporto, Prefeitura de Curitiba e Governo do Paraná farão outras obras pelo PAC, como continuação da Linha Verde Sul; reforma do Terminal Santa Cândida; revitalização da avenida Cândido de Abreu; implantação do Sistema Integrado de Mobilidade; revitalização da Rodoferroviária de Curitiba; implantação do Corredor Metropolitano e obras nas Vias de Integração Radial Metropolitanas.

Prefeitura de Curitiba e Governo do Paraná farão investimentos de cerca de R$ 450 milhões pelo PAC da Copa. "É financiamento, que depois será pago integralmente com recursos dos orçamentos da cidade e do estado", afirmou Luciano Ducci. "Os contratos para empréstimo pelo PAC foram assinados em setembro. As obras serão licitadas à medida que haja liberação do dinheiro do empréstimo pelo governo federal."


fonte: http://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/prefeitura-de-curitiba-e-governo-do-parana-vao-investir-para-melhorar-acesso-ao-aeroporto/22135

País precisa de R$ 3 trilhões para suprir deficit habitacional

14/03/2011 - 12h03

CAROLINA MATOS
DE SÃO PAULO


O Brasil precisará de R$ 3 trilhões até 2022 para construir as 23 milhões de moradias necessárias para suprir seu deficit habitacional, de acordo com o Deconcic (Departamento da Indústria da Construção) da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

A estimativa foi apresentada em São Paulo em entrevista a jornalistas para apresentação da 19ª Feicon Batimat (Feira Internacional da Construção) que acontece de 15 a 19 de março na capital paulista.

Além disso, o Deconcic prevê que, no mesmo período, sejam investidos R$ 2 trilhões em infraestrutura, em recursos tanto públicos quanto privados. O Brasil, de acordo com o departamento da FIESP, está abaixo da média mundial em qualidade geral de infraestrutura, com nota 3,8. A média global é 4,3, em uma escala que vai até 7.

"Não sabemos planejar, infelizmente. Vamos ter que aprender urgentemente para fazer uma Copa e uma Olimpíada brilhantes", diz Maria Luiza Salomé, diretora do Deconcic.


fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/888356-pais-precisa-de-r-3-trilhoes-para-suprir-deficit-habitacional.shtml

sexta-feira, 11 de março de 2011

“Condomínios” de aluguel social

Habitação

A ampliação de auxílio moradia hoje usado para atender famílias em situação emergencial é estudada pelo Ministério das Cidades e pela Câmara Federal

Publicado em 11/03/2011 | Fabiane Ziolla Menezes

Sem um teto para morar, famílias que perderam tudo por causa de desastres naturais ou correm o risco de vivenciar essa experiência são atendidas hoje pela mais simples modalidade de aluguel social, adotada em apenas alguns municípios e estados brasileiros. Em Curitiba, por exemplo, são 130 famílias assistidas, enquanto esse total chega a 2,3 mil no Rio de Janeiro e a 15 mil em São Paulo. Entretanto, a ideia de proporcionar moradia imediata e transitória a essas vítimas está alçando novos patamares no executivo federal e na Câmara dos Deputados – pode virar uma política de âmbito nacional com o objetivo de complementar programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida.


Ao mesmo tempo em que um grupo de trabalho do Ministério das Cidades estuda a possibilidade de instituir um programa de locação social para famílias e pessoas extremamente vulneráveis, como os moradores de rua, o Projeto de Lei 6.342/2009 – dos deputados petistas Paulo Teixeira e Zezéu Ribeiro –, em moldes muito similares, propõe a instituição do Serviço de Moradia Social em todo o país. A medida tem respaldo legal desde junho de 2005, com a criação do Sistema Financeiro de Habitação de Interesse Social e seu fundo, por meio da Lei Federal 11.124. E sem falar no direito constitucional à moradia.


Ideia

Diferentemente das iniciativas locais existentes hoje – em que a família procura uma casa para alugar por conta própria e recebe do poder público um auxílio – as propostas do projeto de lei e do Ministério das Cidades estão focadas na criação de “parques” de locação públicos e privados, uma espécie de condomínio. Seriam estruturas atreladas a atendimentos de um “pacotão” sócio-governamental, como a inclusão das famílias no Bolsa Família e o encaminhamento das crianças a escolas. A princípio, isso aconteceria de duas formas: a construção/aquisição de edificações e a sua administração seriam feitas pela esfera pública (direta ou indiretamente, via organizações não governamentais) ou seriam locadas estruturas privadas prontas para isso.

Segundo Carvalho, o executivo federal, assim como o projeto de lei dos deputados petistas, concentra a discussão na parcela de pessoas mais vulneráveis, mas uma política de locação social também poderia abranger aquela família melhor estruturada que precisa apenas do apoio financeiro. “É importante oferecermos um conjunto de soluções e, nesse caso, a locação social seria uma boa opção, principalmente, para jovens casais que estão começando a vida, migrantes recentes e idosos em idade avançada”.

Em Curitiba, as famílias beneficiadas fazem parte de alguma região atendida pela Companhia de Habitação Popular (Cohab) municipal e recebem o auxílio até terem a casa definitiva entregue. “Antes de entrar para a locação social, a casa onde está a família é avaliada por técnicos, que vão comprovar os riscos estruturais, e também pelo departamento de assistência, para verificar a situação de risco. Assim que a família sai do imóvel condenado, nós o demolimos para evitar que ela volte”, explica o presidente da Cohab, João Elias de Oliveira.

Em São Paulo e no Rio, as famílias atendidas geralmente estão cadastradas para receber uma casa, mas isso não é uma condição imprescindível para receber ou não o aluguel social. “Em âmbito federal não há ainda uma conclusão sobre como as famílias ficariam vinculadas ao programa e quais seriam todos os pré-requisitos, além da renda, para que elas se encaixassem na locação social, mas o controle teria de ser feito pelos municípios, que são os responsáveis diretos pela habitação”, esclarece Carvalho.


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Hedeson. Sem ter para onde ir, família desalojada de escola em Piraquara, no mês passado, poderia ser beneficiada pelo aluguel social. Na foto, Narison, Kelly, Graziele, Zélia e Válter, que estão morando na calçada


Piraquara

Famílias continuam em calçada de escola

Depois de serem retiradas de uma ocupação ilegal no bairro Guarituba e serem desalojadas do ginásio da Escola Municipal Henrique de Souza, em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, 25 pessoas “moram” na calçada da Rua Juri Dalilenco, em frente ao colégio, desde 18 de fevereiro. O aluguel social poderia ser uma solução para essas famílias que não têm para onde ir. Desde a saída da escola, o grupo está sem qualquer auxílio de alimentação e higiene por parte da prefeitura. “Agora dependemos da boa vontade dos vizinhos e de algum dinheiro que conseguimos fazendo bico ou catando papel”, diz Kelly Regina Gonçalves, 24 anos, mãe de duas crianças. Assim como ela, a maioria do grupo chegou ao município na esperança de ser incluída no projeto do Programa de Aceleração do Crescimento que pretende urbanizar uma região da cidade e realocar 8,8 mil famílias. Kelly diz que foram cadastrados pela Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), mas devem esperar de um a dois anos para serem incluídos em um próximo projeto. Na época da reintegração de posse do terreno ocupado, no final de 2010, a juíza da Vara Cível de Piraquara Diocélia Mesquita Fávaro, que expediu o pedido, admitiu que a cidade não teria qualquer obrigação com “os filhos de outros municípios”, já que essas famílias são procedentes de Curitiba.

“É uma medida necessária para dar conta da demanda por moradia de milhões de pessoas e da qual o mercado, com a especulação mobiliária e as exigências contratuais de um aluguel formal, não dá conta”, explica o especialista em infraestrutura e secretário nacional de Pro­gramas Urbanos do Ministério das Cidades, Celso Santos Car­valho. Não é uma proposta muito diferente dos modelos que ajudaram a Europa a se reerguer após a Segunda Guerra Mundial e que ainda estão em funcionamento, ou mesmo da ajuda fi­nanceira que o governo dos Estados Unidos dá a desempregados e vítimas da bolha do mercado imobiliário que assolou o país em 2008.

Conheça como Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro aplicam o aluguel social


fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1104694&tit=Condominios-de-aluguel-social


sexta-feira, 4 de março de 2011

Imóveis vazios existentes no país podem acomodar a maioria dos sem-teto, diz relatora da ONU

Marli Moreira - Repórter da Agência Brasil
26/02/2011


São Paulo - O número de imóveis desocupados atualmente no país pode abrigar a maioria da população sem teto, disse hoje (26) a relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o direito à moradia adequada e urbanista da Faculdade e Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) Raquel Rolnik.

Segundo ela, há cerca de 5 milhões de unidades vazios, quase o número estimado do déficit habitacional, de 6 milhões de moradias. “Será que a construção de casas é o nosso problema?”, perguntou Raquel, ao participar da 3ª Jornada da Moradia Digna- O Impacto dos Megaprojetos e as Violações do Direito à Cidade, que prosseguirá até amanhã na Pontifícia Universidade Católica (PUC), em São Paulo.

O encontro reuniu durante todo o dia de hoje representantes das comunidades de baixa renda, líderes de movimentos sociais e de organizações não governamentais (ONGs) e da Defensoria Pública. O objetivo é discutir a situação das famílias ameaçadas de despejo ou remoção por causa da preparação do país para sediar a Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

De acordo com Raquel, as obras para os dois eventos resultaram em “uma intervenção urbanística nas cidades com projetos que afetam profundamente a vida das comunidades, provocando remoções [de favelas] e despejos, o que é uma violação dos direitos humanos.”

Para ela, falta um planejamento mais estruturado de atendimento as famílias de baixa renda . É essa faixa da população, acentua, que mais sofre com as desapropriações. A urbanista afirmou que tem recebido denúncias sobre indenizações pagas para que as famílias deixassem uma determinada área, mas cujos valores são insuficientes para comprar um imóvel ou mesmo arranjar outra moradia.

Ainda segundo ela, famílias com ganhos mensais até três salários mínimos não têm obtido acesso ao programa Minha Casa, Minha vida. Raquel acha que falta maior participação da população nas decisões das políticas públicas municipais, estaduais e federais.

Ela também defende a criação de espaços para essa população nas áreas mais desenvolvidas das regiões metropolitanas, onde há melhor infraestrutura, como escolas, hospitais, entretenimento e trabalho. “Tirar as as pessoas de onde elas vivem e colocá-las a 50 quilômetros de distância é alimentar a máquina de exclusão territorial e as ocupações em áreas de risco”.


Edição: João Carlos Rodrigues
Fonte: www.agenciabrasil.ebc.com.br