sexta-feira, 26 de março de 2010

Forum Urbano Mundial 2010

26/03/2010
Ativistas em direito à cidade defendem mais participação popular em megaeventos

Em Jerusalém, mais de 10 mil casas de palestinos foram demolidas desde o início da ocupação israelense. Quase 10 mil moradias estão sendo removidas em São Paulo, na interligação entre o aeroporto internacional de Guarulhos ao centro da capital paulista, consequência das obras para receber jogos da Copa do Mundo.
Moradores da Vila Autódromo se mobilizam para não perder suas casas no Rio de Janeiro, que se prepara para receber as Olimpíadas.Esses casos de violação ao direito à moradia foram o tema do debate “Megaeventos e Despejos”, que aconteceu ontem; durante o Fórum Urbano Mundial, no Rio de Janeiro.
O debate contou com a participação de membros do Fórum Nacional de Reforma Urbana, rede da qual o Instituto Pólis faz parte, da organização Habitat For Humanity, Cohre, Movimento Nacional de Moradia e do Centro de Cooperação Sueca.O debate começou com uma exposição de um ativista de direitos humanos palestino Salim Yakub, que fez uma série de denúncias sobre o processo de colonização de Jerusalém, às custas do direito à moradia da população árabe, que sofre o risco permanente de ter suas casas tomadas e demolidas pelo governo isrealita. Segundo Salim, 10 mil casas de palestinos foram demolidas desde a ocupação israelense, e a população palestina original da cidade sagrada foi reduzida a 12% do total.Sua apresentação foi seguida por um emocionado e duro relato de despejo forçado, descrito por Nubia Shaliha. Ela contou que soldados invadiram sua casa, mandou que seus filhos e ela saísse, não permitiu que tirassem seus pertences da casa e ainda hostilizaram a família.
Depois foi a vez de Benedito Barbosa, do Movimento Nacional de Moradia, tratar da questão das remoções e despejos forçados por conta de grandes eventos. Ele conta que, em razão da Copa do Mundo, cerca de 10 mil moradias estão sendo removidas em São Paulo, ao centro da capital paulista. Na mesma esteira, a representante do Fórum Nacional de Reforma Urbana reforçou que os movimentos e entidades não são contra os grandes eventos em si – no caso Copa e Jogos –, mas se opõem à maneira como a questão das remoções vem sendo conduzidas. Ela afirma não tem havido um diálogo efetivo com a população atingida.Ela citou como bom exemplo a ser seguido a política do município de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo; onde uma obra de compensação ambiental (um parque linear) só vai começar a ser construído quando a prefeitura apresentar uma alternativa viável para a população que perderá sua moradia.

Já o defensor público do Rio de Janeiro, Alexandre Mendes, lançou duras criticas ao poder público carioca. Ele afrmou que a prefeitura, apesar ter declarado nos fóruns urbanos que não removeria os moradores da Vila Autódromo, já notificou a população de que eles perderão suas casas.Na opinião de Mendes, o conflito gerado por megaeventos deve ser resolvido levando em conta os direitos humanos e o modelo de desenvolvimento que se deseja seguir.

http://www.polis.org.br/noticias_interna.asp?codigo=973

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